Podemos ter algumas formas de apreender o conhecimento sobre as plantas. Uma delas é confiar em algum livro, em alguma pessoa com confiabilidade sobre o assunto que nos disse alguma propriedade medicinal sobre ela.
Outra forma utiliza nosso aparato mental , que pode racicionar, chegar a conclusão através de pressupostos se A=B e B=C, portanto A=C ou parecido. Por exemplo, sabendo que hortelã nos auxilia no aparato respiratório, ao sentir um cheio similar na menta, podemos supor, deduzir, inferir a mesma qualidade em sua composição.
Há uma terceira forma, a experenciação. Podemos experimentar seu banho, seu chá e verificar o que se passou em nosso sistema. Essas duas formas citadas acima ainda se fazem uso de nossos sentidos.
E se pudéssemos somente nos acercar de um ser e pudéssemos sentir sua essência e compreender sua medicina, suas habilidades, seu lugar de ser?
“Dessa natureza do conhecimento mental e sensorial, tal como é organizada em nós presentemente, segue-se que nossas limitações atuais não são só uma necessidade inevitável; elas são o resultado de uma evolução, na qual a mente acostumou-se a depender de certos funcionamentos fisiológicos e suas reações como se fossem o modo normal de entrar em relação com o universo material. Portanto, embora seja regra que quando tentamos perceber o mundo externo temos que fazê-lo de modo indireto por meio dos órgãos sensoriais, e com relação às coisas e aos homens podemos experienciar apenas o tanto de verdade que os sentidos nos transmitem, mesmo assim essa regra é mera regularidade de um hábito dominante. É possível para mente- e isso seria natural, se ela pudesse ser liberada do seu consentimento à dominação da matéria- ter uma cognição direta dos objetos dos sentidos a ajuda dos órgãos sensoriais. (…) Esse conhecimento direto é, em geral, impossível em nosso estado desperto normal; devemos portantos suscitá-lo, fazendo a mente desperta cair em um estado de sono que libera a mente verdadeira ou subliminar. A mente pode, então, afirmar seu verdadeiro caráter: ela é o sentido único e todo-suficiente, livre para aplicar aos objetos dos sentidos sua ação pura e soberana , em lugar de uma ação misturada e dependente”
O Conhecimento intuitivo vê as coisas no todo, em vastidão, e os detalhes apenas como aspectos do todo indivisível; sua tendência é a síntese imediata e a unidade do conhecimento. A Razão, ao contrário, procede por meio de análise e divisão, e agrupa os fatos para formar o todo; mas, na montagem assim formada, há opostos, anomalias, incompatibilidades lógicas, e a tendência natural da razão é afirmar alguns e negar aqueles que conflitam com as conclusões que ela escolheu para formar um sistema lógica e coerente.
A moção da matéria no Espaço e a moção da mudança no Tempo parecem ser a condição da existência. Certamente poderemos dizer, se quisermos, que isso é a existência e que a ideia mesma de existência corresponde a uma realidade que não podemos descobrir. No máximo, no fenômeno da autopercepção ou por trás dele, podemos algumas vezes vislumbrar algo de imóvel e imutável, que percebemos de modo vago ou imaginamos ser nós mesmos, algo além de toda vida e toda morte, além de toda mudança, formação e ação. Encontra-se aí a única porta em nós que algumas vezes se abre, livre, ao esplendor de uma verdade além e, antes de fechar-se de novo, permite que um raio nos toque- um chamado luminoso ao qual, se tivermos a força e a firmeza, poderemos nos agarrar em nossa fé e do qual poderemos fazer um ponto de partida para um jogo de consciência diferente daquele da mente sensorial- o jogo da Intuição.
Pois se examinarmos com cuidado, descobriremos que a Intuição é nosso primeiro professor. A Intuição está sempre presente, velada por trás de nossas operações mentais. Ela traz para o ser humano essas brilhantes mensagens do Inconoscível, que são começo de seu conhecimento mais alto. A Intuição nos dá essa ideia de que há algo por trás e além de tudo o que sabemos e parecemos ser, ideia que persegue o homem sempre, em contradição com sua razão inferior e toda sua experiência normal, e que o impele a formular essa percepção sem forma nas ideias mais positivas de Deus, Imortalidade, Céu e tudo o mais, pelas quais nos esforçamos

