Em janeiro de 2023 o Portal Mãe Mirra tratou de conhecer as iniciativas de regenerar, reparar, reagir e repartir na região de Una, Ihéus, Itacaré e Maraú, a zona costeira do sul da Bahia.
A região sul do Estado da Bahia sofre, cotidianamente, com os impactos ambientais fruto do desenvolvimento da lavoura cacaueira comercial a partir do séc. XVIII e mais recentemente do empreendedorismo turístico predatório promovido a partir de meados do séc. XX. A todo esse contexto histórico de degradação ambiental se une à degradação social sofrida pelos povos indígenas da região. Os indígenas tiveram seus territórios usurpados, e suas identidades, costumes e tradições desqualificadas, apagadas e negadas em um processo que poderia ser definido como etnocídio.

Yakuy Tupinambá
Nossa cultura nos ensina a nos relacionar com o Todo, observando como se comportam os diferentes elementos que compõe a Mãe Terra. Essa é nossa forma de viver vida, e qualquer mudança, por mais sutil que seja, somos capazes de sentir e perceber seus efeitos. Porém, falar não é mais suficiente; há muitas décadas que numerosos líderes dos mais variados grupos étnicos vem alertando para os efeitos nocivos causados pelos hábitos e costumes herdados do modo de vida ocidental, promovendo mudanças drásticas e nocivas à manutenção da Vida. Temos de agir. Estamos cientes da importância da formação cultural e educacional, onde a Cultura para nós representa a perpetuação das espécies, o tecer dos fios da nossa própria existência, diferente da educação, que é apenas um viés de capacitação e qualificação das potências individuais a serviço de algo ou alguém
Yakuy Tupinambá
Nesse sentido, verificamos que muitas iniciativas que surgem no planeta, como forma de desenvolvermos e aprimorarmos nossa consciência e existência está no retorno de nossa origem com a Terra, na recuperação de saberes ancestrais que sofreram tentativas de extermínio. Muito já se sabia. No aqui e agora, os mesmos conhecimentos retornam, pois muitos dos saberes são imateriais e, por isso, impossível de serem queimados.
Dentro das iniciativas na região do litoral sul da Bahia, o Coletivo “Levanta Amotara Zabelê” surge a partir da consciência coletiva dos saberes tradicionais indígenas no trato com resolução de problemas. O Útero Amotara Zabelê vai sediar uma escola filosófica com princípios baseados no modo de vida indígena, sensivelmente aberto para a Escuta, na sua totalidade. No Centro de Estudos Filosóficos dos Povos Originários da América Latina convivem um centro de estudos (saberes e filosofias primigênias), um local de oficinas e capacitação profissional, ensinamento, vivências, e workshops (soluções práticas). O objetivo é unir pessoas das mais variadas origens e diferentes pontos de vista para conceitos e formas de atuação a serem refletidos, repensados e re-aprendidos. Tudo com o intuito de atingir novos consensos e níveis de desenvolvimento socioeconômico, ambiental, e em definitiva visando novas formas de evolução humana.

Nossas essências originárias, ou saberes ancestrais, transmitidos pela tradição oral dos povos originários, nos ensinam que tudo são ciclos, e quando completados surgem novos ciclos, sejam renovados ou transformados. Assim a proposta do Útero Zabelê incorpora a renovação dentro do processo de aprendizagem e evolução. (…) Todos os povos possuem pensadores e filosófos, que analisam, criticam e apontam soluções; só precisam ser escutados. Agora, chegou nossa vez de propor e solucionar
Yakuy Tupinambá
Para conhecer mais o trabalho e a proposta infinita e espiral do Útero Amotara Zabelê, acompanhe pelas redes sociais @levantazabele

