Esse texto tem como objetivo apresentar um ponto de vista sobre o pequeno e o grande, o micro e o macrocosmos de acordo com conhecimentos científicos e não-científicos.
O Yoga vê o humano como um reflexo do macrocosmos. E o define a partir de relações em seu microcosmos.
Existe uma teoria de que a energia criadora que engendra o Universo manifesta-se no homem, que não está separado nem é diferente dela. A nossa consciência individual é apenas uma das suas dimensões, pois energia e consciência não são coisas separadas. A ciência concorda com o Yoga em que o universo é um verdadeiro mar de energia. Eles diferem, entretanto, quanto às descobertas e abordagens em relação à consciência. Dentro do Samkhya e do Tantra, matéria, vibração, energia e consciência estão intimamente ligadas, sendo dois aspectos da mesma realidade.
“A fonte de toda a criação é a conscientização pura… a potencialidade pura que busca expressar-se do não manifesto ao manifesto… E quando descobrimos que nosso verdadeiro Eu é potencialidade pura, alinhamo-nos à força que coordena tudo no universo. No princípio Não havia existência ou inexistência O mundo era energia não revelada… ELE vivia, sem viver, por SEU próprio poder E nada mais havia…
Hino da Criação, Rig Veda
O corpo humano não é apenas matéria inconsciente ou uma carcaça habitada por uma alma etérica, mas uma realidade vibratória animada pela mesma consciência que anima a própria mente. Por isso, deveríamos deixar de vê-lo como algo diferente do nosso ser “invisível”. Pense no seu corpo como um receptáculo de energia cósmica, um aglomerado de átomos conscientes, construído à imagem do macrocosmos.
Na filosofia védica, o Macrocosmos é Brahmanda, e o microcosmos é pindanda. A consciência vibra em cada uma das suas células, o prana está presente em todos seus tecidos. Quando corpo e mente se unem, a consciência do corpo sutil começa a revelar-se.
Existem alguns simbolismos frequentes na filosofia védica para descrever a relacao do Macro com o Micro. Uma delas é o Hyranyagarbha, o ovo nadando sobre o oceano.

Encontramos todo Cosmos dentro do ovo, representando Brahmanda (Brahma- + “anda”, a semente básica, o ovo, unidade básica de origem) -o macrocosmos. Prakriti -o poder de manifestação do Universo, a vontade do Universo de querer ver a si próprio- involuiu na matéria, originando os 5 elementos, pañcabhūta. O aspecto individual do macroscosmos, Pindanda (Pinda + “anda”), é constituído por vata, pitta, kapha. É o cosmos humano).
É possível encontrar na natureza diversas semelhanças entre coisas grandes e coisas pequenas, conforme as figuras a seguir:








Outra forma de compreender padrões da natureza, é através de fractais.
Um fractal, por definição, é uma fração, uma parte que tem correspondência com o todo.
Podemos encontrá-los em nós ou espalhados na natureza.
A geometria fractal trata de figuras geométricas irregulares, observados em abundância na natureza e em elementos orgânicos, apresentam padrões repetitivos, como se cada parte da figura fosse a figura como um todo, devido às semelhanças existentes.



A geometria fractal é utilizada com frequência em modelos computacionais para simular sistemas orgânicos com maior grau de acuracidade, desde dispersão de líquidos, simulação e trajetória de meteoritos, ou até perímetro geográfico de uma ilha.

O termo foi criado em 1975 por Benoît Mandelbrot como tentativa de medir tamanhos de objetos cujas definições tradicionais da geometria euclidiana falham. A fórmula do conjunto é definida a seguir
Em matemática, o conjunto de Mandelbrot é uma equação definida como o conjunto de pontos c no plano completo para o qual a função z não diverge ao infinito quando as iterações partem de z=0. Além de tudo, é uma função repetitiva (recursiva).
z0=1
zn+1=zn2+ c
Existem algumas condições de contorno para as variáveis acima que não vamos expor aqui para deixar a leitura mais fluida e didática.
As dipersões de líquidos são outro exemplo de geometria fractal:

As ramificações presentes nas bacias hidrográficas possibilitam que as águas de uma extensa área sejam reunidas em um rio principal que possui um grande volume de agua.
Cada bacia hidrográfica pode ser subdividida em bacias menores, chamadas sub-bacias. Estudos sugerem que as redes de drenagem das bacias hidrográficas apresentam os mesmo padrões quando observadas em diferentes escalas. Assim, é possivel continuar esse processo e dividir também as sub-bacias em mais níveis de escala.

E nós? Somos fractais?

Referências Bibliográficas
UTTARA-GīTA (Tradução por MINATI, K) , Ramakrishna Mission Institute of Culture, India, 2010.
VAZZA, F.; FELETTI, A. A Comparação Quantitativa entre a Rede Neuronal e a Web Cósmica. Frente. Phys , publicado online em 16 de novembro de 2020; doi: 10.3389/fphy.2020.525731
MANDELBROT, B. A geometria fractal da natureza. Macmillan. ISBN, 1983
FALCONER, K. Geometria Fractal: Fundamentos Matemáticos e Aplicações. John Wiley e Filhos,2003
BRIGGS, J. Fractais: Os Padrões do Caos. Tamisa e Hudson, Londres, 1992
VICSEK, T. ; Fenômenos de crescimento fractal; World Scientific, pp.31, 139-146., Cingapura/Nova Jersey, 1992


