Foi umas das frases que me marcou na convivência com Diogo.
Conheci o trabalho de Diogo através da Rede Permaperifa lá na casa Ecoativa no Grajaú. Voltando a falar sobre tecidos, sobre redes, essa grande Rede se apoia no desenvolvimento da permacultura na periferia de São Paulo.
Me surpreendi muito nesse encontro na Casa Ecoativa, quando vinham pessoas do outro lado da cidade. E, nos grandes centros urbanos, o transporte público não funciona muito bem nas zonas periféricas, margeando as bordas da cidade. A maioria do transporte precisa passar pelo centro e assim chegar. Ou seja, as pessoas que vinham lá de Perus, Carapicuíba, Guaianazes, etc, demoravam entre 2, 3 ou até 4 horas para chegar no espaço.
Me impressionei muito como aquelas pessoas se motivavam para voluntariamente apoiar no desenvolvimento socio-econômico-ambiental das quebradas. A Rede Permaperifa reune vários grupos culturais e permaculturais numa determinada comunidade para um mutirão em algum espaço comunitário que esteja precisando de banheiro seco, horta, forno, ou outra necessidade local.

Como as zonas periféricas dos centros urbanos recebem bastante entulho e resíduos das zonas centrais, a permacultura na quebrada é se reinventar os materiais disponíveis no local. Dessa forma, foi assim que Diogo construiu 3 fornos de barro usando resíduos que encontrava na rua.
Ele me contou essas histórias depois que estávamos pensando em como destinar e processar 100% os resíduos que estávamos gerando aqui no local, afinal, demolimos algumas paredes que estavam caindo, compramos equipamentos de obra (revestidos de plástico), e consumimos alguns alimentos também embalados. Foi assim que Diogo me contou a história dos seu primeiro forno “feito com lixo e terra”:
“O primeiro foi num cursinho popular em Campinas que não tinha dinheiro. Eles precisavam montar uma assentamento para realizar as atividades no local. Tijolo refratário seria muito caro. Mas dá pra usar areia, cal…e precisamos pensar num base. Vamos dar uma volta aí no terreno pra ver o que tem? Areia tinha lá de uma obra. Agora precisamos de coisas pra base. A galera foi catando lixo, madeira. madeira não é legal, só se for madeira de lei. Pneu é uma boa. Pessoal foi pegando pneu, latão. E os pedreiro na região doi tudo olhando. Quem são aqueles doido aí. E ninguém ia imaginar. A gente vai moldando com a Terra. Igua essa pia aqui,ninguém vai imaginar que tem bambu a pique. Ficou bonitinho essa forno, a galera foi moldando uns desenhos…”


Maravilhosa. Esperança de reverter o estado crítico da mãe terra