O Prāṇā pode ser compreendido como a energia vital que existe em todo o Universo, ou seja, o princípio da vida, a energia primordial que assume todas as formas. Considera-se que tudo no mundo material com vida tem prana. Em alguns textos védicos, o Prāṇā é entendido como uma teia cósmica de “luz”, vibração, como uma teia de aranha com fios brancos bem fininhos. Curiosamente, Davi Kopenawa descreve uma teia branca pelo qual os xapiris, espíritos das matas amazônicas se movimentam.
No sistema filosófico do Yoga, houve uma tentativa muito forte em entender o Macrocosmos (universo) dentro do Microcosmos (nosso corpo).
No corpo humano, há cinco tipos de prāṇā:
Assim como podemos verificar na Chudamani Upanishad
23b / 24- हृदि प्राणः स्थितो नित्यमपानो गुदमण्डले || 23b ||
समानो नाभिदेशे तु उदानः कण्ठमध्यगः | व्यानः सर्वशरीरे तु प्रधानाः पञ्च वायवः || 24 ||
hṛdi prāṇaḥ sthito nityam apāno guda-maṇḍale || 23b ||
samāno nābhi-deśe tu udānaḥ kaṇṭha-madhyagaḥ | vyānaḥ sarva-śarīre tu pradhānāḥ pañca vāyavaḥ || 24 ||
Prāṇa sempre habita o coração, apāna a região do ânus, samāna a região do umbigo e udāna o meio da garganta. Vyāna permeia todo o corpo. Estes são os cinco principais Vayus.
| Prāṇa | localizado na região torácica com sede no Coração | Respirar, conversar, rir, cantar, lugar, artes |
| Apāna | Parte inferior do abdômen | Controla a eliminação, permite a entrada de sólidos e líquidos pelo corpo. |
| Udāna | Garganta (faringe e laringe) | Deglutinação, .comanda as cordas vocais e controla a absorção do ar do alimento |
| Samāna | Umbigo | Mantém o fogo gástrico para ajudar a digestão |
| Vyāna | Sede em todas as articulações | É responsável pela circulação do sangue no corpo todo e distribui a energia proveniente da alimentação para as artérias, veias e nervos. É responsável também pelo suor, e senso de toque. |
Na figura 1, é possível ver a distribuição de Prāṇa pelo corpo.
Figura 1: Os 5 tipos de Prana pelo corpo
Esses 5 ares (Vāyu-s) dividem-se em outros 5 sub-Vāyu-s:
| Upa-Prana | Responsabilidade |
| Naga | Arrotos, erectação, soluço |
| Kurma | Abrir e fechar os olhos, movimento das pálpebras, aumento da Íris, preservando a vista da grande luminisoidade |
| Devadatta | Bocejando |
| Krikala | Espirros, provoca a sede, a fome, a tosse, preservando as fossas nasais de partículas estranhas |
| Dhananjaya | Abertura e fechamento de válvulas cardíacas, ativa a decomposição do cadáver |
Os principais órgãos de absorção do Prāṇa são as terminações nervosas da fossas nasais; os álvéolos pulmonares, a língua e a pele.
“Assim, para o yogin, o nariz é o principal órgão de absorção do Prāṇa, pois sabe-se que o ar é o grande alimento do homem, passando po lugar estreito, sendo “fiscalizado” pelos cornetos, que são cobertos por uma infinidade de receptores nervosos muito sensíveis, sentindo-se assim, todas as variações do ar
Os alvéolos pulmonares permitem a passagem de oxigênio para o sangue (…)
A língua é um importante órgão de absorção de Prāṇa, extraindo a energia do alimento.
A pele é o tecido que cobre o todo o corpo. Ela é extensa e importante na sua função de absorção de energia. As toxinas acumuladas no organismo são rejeitadas e expelidas pelos poros. Para uma melhor conservação da pele, deve-se expô-la ao sol e ao ar ” (FERNANDES,N. Yoga Terapia: o caminho da saúde física e mental, p. 169 , 2a. Edição, São Paulo, Ground, 1994
Prāṇāyāma
A palavra Prāṇāyāma é a junção de dois termos sânscritos, prāṇā e āyāma, onde āyāma significa “regular”, “alongar”
Algumas referências de Prāṇāyāma
Yoga Sutras de Patanjali
तस्मिन् सति श्वासप्रश्वास्योर्गतिविच्छेदः प्राणायामः ॥४९॥
tasmin sati śvāsa-praśvāsyor-gati-vicchedaḥ prāṇāyāmaḥ ॥49॥
Naquilo que é verdadeiro, Pranayama é a separação dos movimentos de inspiração e expiração “[Prāṇā é o sopro, mas não é necessariamente o sopro material. Como a respiração, ele está relacionado à preservação da vida. O prana tem a natureza sútil do “espírito” (sopro) e está relacionado ao ar, porque é invisível e apenas é percebido como vento, quando está em movimento. Para ser mais preciso, o prana é o movimento puro] (G. BARBOSA, 2017, p.95)
Bhaghavad-gita, cap .6
योगी युञ्जीत सततम् आत्मानं रहसि स्थितः ।
एकाकी यत-चित्तात्मा निराशीर् अपरिग्रहः ॥ १०॥
yogī yuñjīta satatam ātmānaṃ rahasi sthitaḥ |
ekākī yata-cittātmā nirāśīr aparigrahaḥ || 6.10||
O transcendentalista deve sempre ocupar seu corpo, mente e ego em atividades relacionadas com o Supremo; ele deve viver sozinho num lugar isolado e deve sempre com todo o cuidado controlar sua mente. Ele deve estar livre de desejos e sentimentos de posse.
शुचौ देशे प्रतिष्ठाप्य स्थिरम् आसनम् आत्मनः ।
नात्युच्छ्रितं नातिनीचं चैलाजिन-कुशोत्तरम् ॥ ११ ॥
तत्रैकाग्रं मनः कृत्वा यत-चित्तेन्द्रिय-क्रियः ।
उपविश्यासने युञ्ज्याद् योगम् आत्म-विशुद्धये ॥ १२ ॥
śucau deśe pratiṣṭhāpya sthiram āsanam ātmanaḥ |
nātyucchritaṃ nātinīcaṃ cailājina-kuśottaram || 11 ||
tatraikāgraṃ manaḥ kṛtvā yata-cittendriya-kriyaḥ |
upaviśyāsane yuñjyād yogam ātma-viśuddhaye || 12 ||
Para praticar yoga, é necessário dirigir-se a um lugar isolado e forrar o chão com grama kuśa, e depois, cobri-la com a pele de um veado e um pano macio. O assento não deve ser nem muito alto nem muito baixo e deve estar situado num lugar sagrado. O yogī deve então sentar-se nele mui firmemente e praticar yoga para purificar o coração, controlando a mente, os sentidos e as atividades, e fixando a mente num único ponto.
समं काय-शिरो-ग्रीवं धारयन्न् अचलं स्थिरः ।
सम्प्रेक्ष्य नासिकाग्रं स्वं दिशश् चानवलोकयन् ॥ १३ ॥
प्रशान्तात्मा विगत-भीर् ब्रह्मचारि-व्रते स्थितः ।
मनः संयम्य मच्-चित्तो युक्त आसीत मत्-परः ॥ १४ ॥
samaṃ kāya-śiro-grīvaṃ dhārayann acalaṃ sthiraḥ |
samprekṣya nāsikāgraṃ svaṃ diśaś cānavalokayan || 13 ||
praśāntātmā vigata-bhīr brahmacāri-vrate sthitaḥ |
manaḥ saṃyamya mac-citto yukta āsīta mat-paraḥ || 14 ||
Deve-se manter o corpo, pescoço e cabeça eretos, conservando-os em linha reta, e deve-se olhar fixamente para a ponta do nariz. Assim, com a mente plácida e subjugada, sem medo, livre por completo da vida sexual, deve-se meditar em Mim dentro do coração e ver a Mim como a meta última da vida.

