How we want to build in the world

Estamos construindo os primeiros espaços do Portal agora. As primeiras mãos que vieram tocar na terra daqui – e também no cimento da casa antiga- foram do Diogo, Wesley, Cauã, Talitha, Fá, eu e as duas pequenas, Maria e Yara.

Diogo é um ser curioso, os pensamentos rodopiam em sua mente, mas seus olhos se mantém fixos num ponto a frente. Ele não para um segundo, tem uma vitalidade e força de ação que nunca vi. Por trás de sua aparência durona, tem um coração mole que busca ajudar a todos a sua volta e mudar um pouco a realidade social em que vivemos.

Wesley é movido por um fogo interno. Me lembra um fogo de artífício. Vai andando rodopiando em luzes, em ideias. Tem tanta história para contar que já tem um livro pronto em sua cabeça, as mãos ansiosas para começar. Me tira risadas lá de dentro. Me tira lágrimas também, ao escutar algumas de suas histórias, águas e emoções.

Cauã passa o dia comendo frutas, pepino, repolho e ovo. As crianças o amam. Só por isso, já tive certeza da força de sua áurea. É um menino mistério. Tem 17 anos, e já tem cabelos brancos. Sua pureza me encanta. E seu jeito sapeca também.

Talitha é filha e mãe de pisciana. Acho que é a primeira filha de sereia e mãe de sereia que conheci. Sua doçura me inspira. Até brava possui um olhar doce e aquático. Conviver com ela me ajudou muito a saber ser mãe serena. A me colocar de forma firme e mansa, firme e paciente.

planta do futuro vestiário, feito por Talitha

Passados 3 meses de obras, algumas mãos dos vizinhos também se somaram. Jimmy vem quase todos os dias, Marcelo cortou algumas madeiras muito importantes. Eu, Ninho, Luan, Jimmy, colhemos muuuitos bambus.

São muitas e muitas pessoas, vidas, seres, emoções sendo mobilizados nesse momento para a construção do espaço.

Muitos temos filhos. Diogo e Talitha conceberam e cuidam da pequena Yara. Eu e Fá, concebemos e cuidamos da pequena Maria. Wesley e Erica tem o Davi e Maria Alice.

No mundo que sonho, um casal pode conceber um filho, mas tod@s cuidamos de todos. Construímos nossas casas com nossas filhas e filhos juntos. As pequenas mãozinhas nas mãos de terra. Cozinhamos juntos, nos apoiamos.

Ao começar nossa obra, me deparei com um monte de desafios para chegar nesse mundo. Desafios que tem a ver com as diferentes realidades econômicas, sociais e culturais que muitas pessoas vivem.

Erica trabalha em São Paulo e não podia deixar seu emprego para vir construir. Assim que Wesley ficou 2 meses sem ver seus filhos e, Erica, cuidando deles praticamente sozinha. Talitha conseguiu vir, porém, precisava de internet em vários momentos e não sempre conseguia estar conosco na roça. Quando decidiu, com muita coragem, vir até aqui para Bahia, sabia que já não teria o apoio de sua mãe e que Diogo estava construindo por muito tempo do dia.

Ficar com as pequenas na obra passou a ser um desafio em alguns momentos também, pois como parte da obra se constituía em alvenaria “convencional”, havia cimento e entulho. Muitas coisas tóxicas. Vieram as chuvas no mês de Dezembro. Mãe Terra resolveu chorar sem parar e, nós, ainda sem telhado, tínhamos que nos abrigar nas barracas e cozinhar a meia-chuva em nossas cozinha temporária.

Diogo e Wesley me ensinaram muito. Me contaram como funciona, em geral, a vida dos construtores. A ausência da família, a estadia num lugar longe, perto de algum boteco, e os baixos salários. E, apesar de estarmos fazendo muita coisa diferente da “construção não natural”, haviam muitas pedras no caminho ainda.

Fico pensando em como sou grata de terem amigos que toparam vir construir num lugar onde íamos buscar água na nascente, sem teto, sem chão, muita madeira pesada para levantar, muitos entulhos para saber destinar, piso para nivelar, pilares para fincar ao chão. É um trabalho muito pesado e os poucos dias que me meti a ajudar, meu corpo sentiu a força e disposição necessárias para isso.

Mas, mais do que isso, amigos que toparam mudar bastante suas vidas, se rodopiaram a mil em seus trabalhos para poderem estar aqui e as dificuldades que todos passam para poder construir seus sonhos.

Foi um grande aprendizado para nós. Saber a montanha que nos separa do mundo que tanto sonhamos do mundo real.

E mais, saber também que somos bons escaladores.

Published by portalmãemirra

We are a center for community coexistence and awareness development, and our initiatives are based on the practical philosophy of Integral Yoga, the principles of Integral Education (proposed by Mirra Alfassa, the Mother) and the sustainability precepts of Agroecology, Permaculture and knowledge. ancestors of the land of native peoples.

2 thoughts on “Como queremos construir no mundo

  1. Fantástico saber que experiéncias como estas estâo sendo testadas por pessoas que também fomentam um grande sonho: ser gente, quando crescer (e tbm enquanto crescem). Maravilhoso. Que a natureza os acolham e mandem sol e chuva na medida necessária para regar seus sonhos de ver brotar um mundo melhor.

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